Pesquisadores

Maria Inês de Almeida

Graduada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (1982), mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (1992), doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1999), realizou pós-doutorado no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da UFRJ, Museu Nacional.

Aposentada da UFMG desde 2016, continua orientando pesquisas no seu Programa de Pós-graduação em Estudos Literários, nas linhas Literatura e Psicanálise e Edição e Recepção do Texto Literário. Pesquisa, desde 1995, a experiência literária em território indígena.

A partir de 2002, como bolsista do CNPq (1), liderou o Núcleo Transdisciplinar de Pesquisas Literaterras: escrita, leitura, traduções. À frente do grupo, criou o Acervo Indígena da UFMG (ACID), coordenou a área de Múltiplas Linguagens do curso de Formação Intercultural de Educadores Indígenas da UFMG (FIEI/Prolind, 2006-2011) e a edição de 130 obras literárias de autoria indígena produzidas, distribuídas em diversas escolas e terras indígenas do Brasil.

Na função de diretora do Centro Cultural UFMG (2011-2014), criou o Programa de Extensão Muitas Culturas no Centro e o projeto MIRA! Artes Visuais. Atualmente, atua como professora (Programa Visitante Sênior na Amazônia, Edital 20/2018 da CAPES) no Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade da Universidade Federal do Acre, onde coordena o Laboratório de Interculturalidade.

Daniel Belik

Doutor em Antropologia Social pela University of St. Andrews (2013-18). Mestre em Antropologia Social pela University of Aberdeen (2010-11). Graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (FFLCH-USP, 2009). Licenciado pela Faculdade de Educação da mesma universidade (FE-USP, 2010). Trabalhou em Rio Branco (AC) na Escola da Floresta e como Professor substituto no Centro de Educação, Artes e Letras da Universidade Federal do Acre (CELA/UFAC).

Prestou consultoria como antropólogo para a Federação Nativa de Madre de Dios e Afluentes (FENAMAD), no Peru; para a OSCIP Andiroba e WWF no Acre e para a FUNAI, para a OTCA, para o IIEB e para a GIZ em Brasilia.

Marina Paulino Bylaardt

Artista Plástica formada pela UFMG, bacharel em escultura, atuou como professora em programas sociais, figurinista, costureira e artesã. Atualmente trabalha com design e é mestranda no programa de Pós-graduação em Letras: Linguagem e Identidade da Universidade federal do Acre. Tem como objetivo pesquisar as Artes indígenas e sua aplicação em projetos gráficos.

É responsável pelas artes gráficas da publicação da revista Sumaúma-  edição comemorativa dos 20 anos da categoria dos Agentes agroflorestais Indígenas; dos livros didáticos de Joaquim Maná Hãtxa Kenea Yusĩti – Rabe, Hãtxa Kenea Yusĩti – Tsamĩ e Shanenawa Sikũ Kawa; das edições eletrônicas de Hãtxa Kenea Meniti; da edição eletrônica do livro Nixpu Pima de Norberto Sales Kaxinawa – Tene, entre outros.

Como pesquisadora do Laboratório de Interculturalidade faz a programação visual deste site e de suas demais peças de comunicação.

Camila Bylaardt Volker

Formada em Língua Latina pela Universidade Federal de Minas Gerais (2004) e possui mestrado em Teoria Literária pela mesma instituição (2007). É doutora em Teoria Literária pela Universidade Federal de Santa Catarina (2017) e defendeu uma tese sobre a representação da floresta amazônica como superfície nos textos amazônicos de Euclides da Cunha e Constant Tastevin.

Atualmente se dedica a reflexão sobre a crítica literária como instrumento de ressignificação das obras artísticas. Atua principalmente nas áreas de crítica e teoria literária.

Shelton Lima de Souza

Possui graduação em Letras/Português do Brasil como Segunda Língua (2006), mestrado em Linguística/Gramática (2008), ambos realizados na Universidade de Brasilia/UnB, e doutorado em Linguística (2017) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Acre/FAPAC.

Professor Adjunto Nível 3 de Linguística e Língua Portuguesa no Centro de Educação, Letras e Artes/CELA da Universidade Federal do Acre/UFAC.

Suas principais áreas de atuação são: teoria e análise linguística (Fonética, Fonologia, Morfologia e Sintaxe de línguas indígenas, tais como Xerente (Jê) e Jaminawa (Pano)) e educação linguística intercultural.

Soleane Manchineri 

Nasci em Rio Branco, morei até os quatro anos de idade na Terra Indígena Mamoadate, na aldeia Extrema, conhecida conforme meu nome indígena “Tita”. Tenho 35 anos, sou mãe de duas filhas: Larissa e Lavínia que moram comigo em Rio Branco.

Morando na cidade trabalhei como Guia de Turismo durante cinco anos, fiz teatro, contei histórias, me formei na UFAC como Historiadora e recentemente trabalhei na Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre durante dois anos e seis meses. E por alguns meses como Secretária da Organização das Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia e Mestrado no PPGLI-UFAC.

Sobre a educação escolar, acredito nos ideais baseados na resistência e na sobrevivência, pois os indígenas precisam vivenciar um protagonismo de fato e de direito no dia-a-dia gerando “uma ponte” em que dialoguem seus conhecimentos com os demais. Considero fundamental o ato dos povos indígenas terem autonomia através da Educação. Além dessa interação, que credito ser de suma importância tanto para os indígenas quanto para não indígenas. Continuo resistindo ocupando espaços não indígenas para continuar na luta por dias melhores para os povos indígenas.

Os planos ainda não estão definidos, mas pretendo colaborar diretamente dentro da TI Mamoadate, futuramente, se a comunidade aceitar. Quero vivenciar e aproveitar o que tiver de bom na alimentação tradicional, que considero ser algo primordial para os Manchineri, bem como a questão de uma estrutura familiar que engaja os demais membros do povo.”                                                                                                                         (Texto escrito pela pesquisadora).

Ana Letícia de Fiori

Bacharel e licenciada em Ciências Sociais, mestra e doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Também pesquisadora do Grupo de Etnologia Urbana do Núcleo de Antropologia Urbana da USP, onde desenvolveu tese sobre os enredamentos entre educação e política com universitários indígenas Sateré-Mawé do baixo Amazonas. 

Atualmente, é professora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, dedicando-se às intersecções entre antropologia urbana, antropologia do direito, etnologia indígena e interculturalidade. É editora executiva da Revista Ponto Urbe.

Valda Inês Fontenele Pessoa

É doutora em Educação: Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC-SP. Fez mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1999), especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Federal do Acre (1994), especialização em planejamento educacional pela Universidade Federal do Acre (1986), e aperfeiçoamento em Administração Universitária pela Universidade Federal do Amazonas (1994), graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Acre (1981).

Faz parte do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade da UFAC atuando na linha de pesquisa Lingua(gens) e Formação Docente. Coordena o Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Estudos sobre Culturas, Linguagens e Educação – GIPECLE. É membro do grupo de Estudos e Pesquisas em Política Educacional, Gestão Escolar, Trabalho e Formação Docente-UFAC e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade – GEPI/PUC-SP.

É pesquisadora do Laboratório de Interculturalidade. Desenvolve pesquisas no campo das políticas públicas de currículo, de avaliação e da formação docente.

Rafael Otávio Fares

Doutor em teoria da literatura e literatura comparada pela Faculdade de Letras da UFMG, onde também formou-se como mestre em literatura brasileira e graduado. Sua pesquisa está centrada na reflexão sobre a produção contemporânea de livros e filmes pelas comunidades indígenas.

Atualmente é professor de Produção de Texto na UEMG, unidade de João Monlevade. Desenvolve trabalhos de pesquisa e extensão, dentre eles estão o programa de rádio com os alunos da engenharia e a contribuição no Pré-UEMG. Sua pesquisa está centrada nos saberes indígenas nos livros indígenas publicados nas últimas décadas.  Trabalhou no Curso de Formação Intercultural para Professores Indígenas da UFMG no eixo Múltiplas Linguagens (2006 a 2011) e foi professor substituto de português no CEFET-MG nos anos de 2010, 2011 e 2017. Integra desde 2005 o grupo de pesquisa Literaterras, sediado na Faculdade de Letras da UFMG.

Dentre as disciplinas em que transita estão literatura, língua portuguesa e a produção audiovisual. Dentre os livros que realizou com os indígenas estão o livro Curar com os Maxakali(2008), o livro Para seu trono lirar com os Xacriabá (2012) e o Nixpu Pima com os Huni Kuin (2015). Realizou os filmes Casca do Chão com os Kaxixó (2008), Presente dos Antigos com os Xacriabá (2009) e o Floresta também é Gente com os Huni Kuin (2013). Em 2016, ministrou oficinas pela ong. Filmes de Quintal, em parceria com o IPHAN, para a realização do filme Sistema Tradicional Agrícola do Alto Rio Negro (2017). 

Foi pesquisador e produtor da exposição Mira! Artes Visuais Contemporâneas dos Povos Indígenas(2013), que contou com variadas etnias de países como Equador, Bolívia, Peru, Brasil e Colômbia. Sua produção no campo das artes também abrange a escrita de roteiros e de poesia, como os livros Árvore Nômade (2019), Fio d´Água (2014) e Exemplar Disponível ao Roubo (2011).

Marcos de Almeida Matos

Possui graduação em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2003), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2006) e doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2018).

Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal do Acre. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Etnologia Indígena, atuando principalmente nos seguintes temas: teoria antropológica, etnologia e história na Amazônia Ocidental, organização e parentesco.

Paulo Roberto Nunes Ferreira

Possui graduação em História (2003) pela Universidade Federal do Acre. É mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal do Paraná (2010). Atua com temas relacionados à educação escolar indígena, enfatizando interfaces entra a arte, o xamanismo, o gênero e políticas indigenistas. Tem experiências atividades de consulta livre, prévia e informada entre populações indígenas, patrimônio cultural, educação patrimonial.

Mara Vanessa Fonseca Dutra

A arte a levou para os índios, nas pesquisas e montagens de espetáculos multimídia do Grupo Curare, em Minas Gerais; os índios a pegaram pela mão, pelo afeto, pela beleza e a levaram para o resto da vida.

Mãe de Iara Bimi Ayani e de Maria Rita, escritora de incontáveis cartas, mulher dos sete instrumentos e muitas virações, no aprendizado de viver na Bahia – esse grande colo, acolhimento – desde 2004. Considera a idoneidade cósmica das pessoas com quem cultiva relações, acredita que a verdade da história está no mito e que nossa tarefa é criar alegria e beleza todo dia, todo dia, como os antigos alquimistas – transformação, transmutação, movimento. Faz parte da fileira dos que não conseguem sossegar frente à injustiça social e lutam como eternos quixotes. Com a sagrada loucura, força e firmeza de todos os irreparáveis sonhadores.

Doutora em Cultura e Sociedade pelo Programa Multidisciplinar Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia, na linha Cultura e Arte. Mestre pela UFBA, no mesmo Programa. Professora substituta do Bacharelado Interdisciplinar em Artes, do IHAC – Instituto de Humanidades Artes e Ciências Prof. Milton Santos, da UFBA, nos semestres 2015.2 e 2016.1 e novamente desde 2020.1. Professora convidada do Curso de Especialização em Arte-educação da Escola de Belas Artes da UFBA, em 2017 e em 2019. Participou, como professora convidada, do Eixo Múltiplas Linguagens no Curso Formação Intercultural de Educadores Indígenas da UFMG, de 2007 a 2011.

Possui graduação em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1981). Participou do grupo de Pesquisa em Cultura e Subalternidades, IHAC, UFBA, e foi colaboradora do núcleo Literaterras, da FALE/UFMG na publicação de livros e revistas de autoria ou com temática indígena. Colaboradora de KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço, nas áreas de direitos de comunidades negras tradicionais, intolerância religiosa e relações de gênero; colaboradora da Coordenadoria Ecumênica de Serviço em sistematização de experiências de movimentos sociais e estudos de impacto e no apoio ao movimento e às organizações indígenas, em parceria com a COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira).

Conselheira da Comissão Pro-Índio do Acre, que trabalha com autoria indígena em processos de formação, pesquisa, orientação de monografia, documentação e publicações e do Instituto Catitu, que trabalha com linguagens audiovisuais com mulheres indígenas. Colaboradora da Associação Campo das Vertentes, Minas Gerais, com o dramaturgo João das Neves e a cantora Titane, em pesquisa e produção artística e cultural. Coordenadora do Grupo Curare de Pesquisa e Divulgação Artístico-Cultural, com roteirização e direção de espetáculos multilinguagens (teatro, música e imagem) e de documentários. Participante do Grupo de Teatro Riachim, da Escola de Teatro da UFBA. Tem trajetória de atuação com povos indígenas do Brasil e da América Latina e Caribe, e com outras comunidades tradicionais, com publicações geradas a partir dessas experiências – sistematizações, estudos de impacto e artigos. Acúmulo em planejamento, gestão, monitoria e avaliação de projetos sociais junto a organizações e movimentos da sociedade civil. Coordenou um programa de direitos reprodutivos e sexuais composto por 13 organizações de 11 países da América Latina, apoiado pela Cooperação Holandesa.

A convivência com os povos indígenas marca sua trajetória de vida, feita de muitas viagens por paisagens e culturas. Sua trajetória de indigenista é marcada pelo trabalho com educação indígena e pela mediação frente ao Estado, sempre um desafio. Fez o curso de indigenismo da Funai em 1985 e passou a atuar como indigenista junto aos Mamaindê e como chefe de posto do PI Nambikwara; foi assessora da presidência da Funai no período de elaboração do PPTAL e atuou no Ministério do Meio Ambiente no PDA e no PDPI.

Atualmente, o foco de seu trabalho, para o qual convergem essas experiências, é sobre arte contemporânea em suas relações com a arte indígena.

Heloisa Helena Siqueira Correia

Graduada em Filosofia pela UNESP- Campus de Marília, Doutora em Teoria e História Literária pela UNICAMP, Docente do Departamento Acadêmico de Letras Vernáculas e do Programa de Mestrado em Estudos Literários da Universidade Federal de Rondônia-UNIR.

Membro do Grupo de Pesquisa “Devir-Amazônia: literatura, educação e interculturalidade” -UNIR, do GT da ANPOLL “Vertentes do insólito ficcional”, do LABINTER-Laboratório de Interculturalidade do PPGLI-UFAC e da ASLE-Brasil- Associação de Literatura e Ecocrítica.

É leitora e pesquisadora da obra de Jorge Luis Borges desde 1995. Atualmente desenvolve projeto de pesquisa sobre narrativas indígenas e obras de literatura de expressão amazônica. Volta atenção sobretudo aos textos em que o pensamento ameríndio trata das relações interespécies, o que abre a possibilidade de construção de novas epistemologias e acaba por contribuir na direção da defesa do meio ambiente; e textos literários de expressão amazônica, não indígenas, em que há personagens não humanas protagonistas. Estuda, ainda, produções literárias em que o insólito ocorre de modo múltiplo, dando morada a personagens monstruosas e extraordinárias.

Cinara de Araújo

É artista-pesquisadora e professora adjunta na Universidade Federal do Sul da Bahia, Centro de Formação em Artes, Bacharelado e Licenciatura Interdisciplinares em Artes, Campus Sosígenes Costa, Porto Seguro. Coordena o projeto de pesquisa: Poema, experiência, comunidade: bio-grafia como método e modos da literatura incomparável, iniciado em 2016. Doutora em Poéticas da Modernidade pela Universidade Federal de Minas Gerais (2008),com tese sobre Maria Gabriela Llansol,  Mestre em Literatura Brasileira (2002) e Graduada em Psicologia (1995) pela mesma universidade.

Investiga as relações entre as artes, tendo como eixo o campo ampliado do poema, suas interseções com a escrita, o espaço, a imagem e o som no contexto da arte contemporânea e de poéticas da comunidade e do cotidiano. Atualmente realiza as Performances Invisíveis: Apontamentos para o colecionador (2010); Pão, cigarros (2013-2014); No mundo bárbaro, a brasa do teu cigarro (2014-2015); Intervenções Efêmeras e Foto-bio-grafemas (2016-2017). Ganhou o Prêmio Nacional de Literatura Cidade de Belo Horizonte com o ensaio: A história do ver: a escrita e a vida de Maura Lopes Cançado (2004).

Foi integrante do Grupo de Pesquisa Literaterras: escrita, leitura e traduções (CNPq/UFMG), que desenvolveu pesquisas transdisciplinares sobre tradução e educação intercultural, e integra o Grupo de Pesquisa Lêtera: estéticas, tecnologias, discursos(CNPq/UFSB). Concebeu e realizou, em projetos de extensão da UFMG, os cursos de curta duração: O ato de escrever – apontamentos sobre literatura, escrita e loucura (2012); Céu: armazém de sinais (2013); Poesia expandida (2013), Hoje grafo no espaço (2018).

Joaquim Paulo de Lima Kaxinawá

Formado em Magistério Indígena pela Comissão Pró-índio do Acre (2000), graduado em Ciências Sociais pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2006), mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (2011) e doutor em Linguística pela Universidade de Brasília (2014). Trabalhou como Técnico Pedagógico da Equipe de Educação Escolar Indígena, na Secretaria de Educação do Estado do Acre (2017-2019).

Tem experiência na área de Linguística, Educação, História Huni Kuĩ, línguas Pano e Hãtxa Kuĩ, e no estudo dos kene kuĩ (grafismos tradicionais do povo Huni Kuĩ). Autor de livros e cartilhas, ultimamente dedica-se à produção de materiais didáticos para alfabetização e letramento em Hãtxa Kuĩ. É pós-doutorando no Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade, da Universidade Federal do Acre.

Lucas Artur Brasil Manchineri 

Meu nome é Lucas Artur Brasil Manchineri, Filho de Otavio Brasil Manchineri e da Maria Artur Manchineri. Nascido no dia 6 de abril de 1983 às 4 horas da manhã na aldeia extrema Terra Indígena Mamoadate povo Manxineru, município de Assis Brasil- Acre. Onde fiquei toda a minha infância e juventude, foi o lugar onde comecei o processo de construir a própria história de convivência de vida passo a passo.
 
Posso dizer que tive uma infância e juventude ótima, morar na Floresta supervaliosa, conviver com os mistérios e conhecimento dela, tendo toda a natureza em volta e o tempo livre para brincar, aprontar, sorri e chorar também. A língua materna é a minha primeira língua de comunicação com meus familiares e povo, não existia a influência da língua português.Porque na terra indígena mamoadate a língua materna do povo manxineru é muito viva e praticada no cotidiano da aldeia.
 
Possuo Nível médio em Magistério Indígena no Centro de Formação dos Povos da Floresta (2001-2005); Graduação – Licenciada em Educação Escolar Indígena com Habilitação em Linguagem e Arte pela Universidade Federal do Acre – UFAC (2009-2014) e sou Mestre em Desenvolvimento Sustentável, Povos e Terras Tradicionais pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília, UnB – Dissertação defendida em 2015 a 26/05/2017.

Bruna Giovanna da Silva Dantas Vieira 

Graduanda de Bacharelado em Jornalismo pela Universidade Federal do Acre – Ufac. Atua no Laboratório realizando a Assessoria de Comunicação das redes em geral.

Shawadawa/ Samuel Martins Saldanha Jaminawa 

Na primeira língua me chamo Shawadawa na segunda língua sou Samuel Martins Saldanha Jaminawa. Eu morava na aldeia kayapucá que fica na margem do rio Purus. O objetivo da minha vinda a cidade é para concluir os meus estudos, sai da aldeia para terminar o meu ensino médio com uma idade avançada, porque lá estudamos primeiro os aprendizados do conhecimento que o nosso povo tem na comunidade e algum saber da nossa cultura tradicional.

Após esse conhecimento que me foi adquirido eu quis estudar na escola dos nauas (homem branco). Eu dava aula na aldeia com pouco conhecimento do português então essas aulas eram na maioria das vezes na minha língua mesmo. Aqui na cidade me matriculei em uma escola que fica no município de Sena Madureira, lugar onde conclui o meu ensino fundamental, porque quando eu cheguei estava só com o 5 ano finalizado. Após isso retornei para a comunidade, construi a minha casa e a minha família. A partir daí decidi retornar, pois eu achava que esse aprendizado do ensino fundamental ainda era muito pouco para ajudar os meus parentes na aldeia.

E então voltei para a cidade e me matriculei na escola dos brancos novamente, eu achava que aquilo poderia não só me ajudar como também ajudar meu povo. Ainda estou buscando terminar o meu ensino médio, por conta da pandemia as aulas estão presencialmente paradas, e eu nesse momento estou tento aula online. Com a ajuda dos meus parentes me matriculei no curso técnico em enfermagem. Não é fácil nós indígenas chegarmos e estudarmos na cidade. Mas estou buscando, ainda tenho o ano que vem todinho para concluir.

Penso na minha comunidade, que estou na escola dos brancos adquirindo um aprendizado para dar o retorno a eles. Poucos são os familiares que tem essa visão de estudo, por isso quero voltar para a minha aldeia levando esse conhecimento que estou adquirindo para contribuir com as famílias. Então hoje, sinto que me esperam para isso, contam comigo na aldeia e eu quero dar o retorno ao meus parentes e atuar na área que eu sempre quis.

Rake Kăy/ Samuel Rondon Iraqui 

Na primeira língua me chamo Rake Kăy na segunda Samuel Rondon Iraqui. Sou professor da língua indígena e desde de 2005 trabalho na escola Ixūbăy Rabuī puyanawa. Meu trabalho foi repassado por meu pai Mário Cordeio de Lima, que trabalhava no polo de Mâncio Lima e então me entregou o cargo como professor.

No final de 2005 eu como professor, não vou mentir, não sabia quase nada. Ele me disse “estou entregando esse cargo à você porque vejo que é capaz” então eu tive que pesquisar, mas naquela época ainda tinha ele e outro professor o Luiz Manaita, onde eu pude pesquisar muito com eles. O Luiz já tinha pesquisado com o meu pai e meu avô. E tinha um grande acervo de coisas escritas e foi a partir daí que eu comecei a estudar.

No próximo ano renovei o contrato e comecei a pesquisar, e dessa forma consegui evoluir na pesquisa da nossa língua. Então eu me aprofundei mesmo, me entreguei a pesquisa da parte da nossa cultura e da língua, para ensinar as crianças e até mesmo os jovens e adultos da aldeia. A partir disso, passei a beber a ayahuasca e usar o rapé. Em 2008, fui participar pela primeira vez do curso de formação dos professores indígenas em Plácido de Castro e depois fui novamente em 2010, 2012 e 2014.

Com essa trajetória pude aprender muito, em 2010 quando participei do segundo curso, tive a oportunidade de ir na casa do professor Aldir, ele foi uma das pessoas que entrevistou e gravou os mais experientes, por volta de 9 senhores. Ele pôde tirar foto e gravar e eu fui pra casa dele e lá pude passar 10 dias estudando tudo que ele tinha e trouxe uma parte do material, e com esse material eu enriqueci mais ainda o meu conhecimento e também adquiri conhecimento na parte da pesquisa que eu tinha feito com ele e também com todas as pesquisas que eu já tinha feito com o Luiz, Railda Manaita e meu pai.

E foi quando eu pude ir aprendendo cada vez mais nessa trajetória, quando conheci a ayahuasca quando eu tive coragem e dedicação para beber, quando ela me mostrou e me ensinou, primeiramente com a ajuda de Deus eu pude aprender e graças a Deus não só eu mas todos nós repassarmos o nosso aprendizado para os mais jovens da escola. E com isso nos aprofundamos cada vez mais no trabalho espiritual, pelo menos a maior parte dos professores, porque os outras não consumiam a bebida. E através da ayahuasca temos uma facilidade maior de aprender com os nossos ancestrais.

E hoje a cultura, língua e tradição do nosso povo teve um avanço muito grande através da minha pessoa que pude pesquisar, buscar, até mesmo viajar. Então essa trajetória não foi fácil porque pra gente que não sabe, para aprender precisamos nos dedicar mesmo, se nos dedicarmos e querermos nós conseguimos e foi o que eu fiz. A nossa cultura, língua tá tendo um avanço muito grande, até mesmo para mostrar para o nosso povo que muitos não acreditavam que nós conseguiríamos e hoje estão vendo.

Na época em que meu pai repassou a cargo pra mim, tínhamos apenas 24 músicas hoje já temos mais de 60. Foi um incentivo meu que repassei para cada uma das pessoas e cada um teve o merecimento de receber a música. Então assim, essa é a trajetória do meu trabalho como professor na nossa escola Escola Ixūbăy Rabuī puyanawa de eu poder estar ensinando de tudo que pesquisei e pude colher. Essa é um pouco da trajetória do trabalho que eu tenho feito e me esforçado aqui dentro da nossa comunidade.

Rodrigo Marciente Teixeira da Silva

Biólogo, formado pela Universidade Federal do Acre. Possuí mestrado em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Docente no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre (IFAC) – Campus de Cruzeiro do Sul onde atuou como Coordenador do Curso Técnico em Meio Ambiente (2015-2016), Coordenador de Pesquisa, Extensão e Inovação (2016), Diretor de Ensino, Pesquisa e Extensão (2016-2018) e na equipe do Planejamento Estratégico do IFAC.

Atualmente é docente de Ecologia nos Cursos Técnicos em Meio Ambiente, Agropecuária e Zootecnia e docente de Ecologia e Biologia Vegetal no Curso Superior de Agroecologia. 

Hélio Rodrigues da Rocha 

Possui graduação em Letras-Inglês pela Universidade Federal de Rondônia (1998), graduação em Letras-português pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1989), mestrado em Letras- Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre (2008) e doutorado em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (2011). Pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio (2016).

Atualmente, exerce a docência junto ao Departamento de Língua Inglesa na Universidade Federal de Rondônia – UNIR. Professor Nível Adjunto II – com experiência na área de Letras, com ênfase em Estudos Literários, atuando principalmente nos seguintes temas: estudos amazônicos, narrativas de viajantes de língua inglesa, colonização e barbárie; tradução interlingual (inglês-português) e tradução cultural (prática).

Leilaine Fonseca Ribeiro 

Possui graduação em LICENCIATURA EM LÍNGUA INGLESA E SUAS LITERATURAS – FFPP-UPE (2013) e especialização em PSICOLOGIA SOCIAL – AVM EDUCACIONAL. Atualmente é técnico administrativo em educação do Instituto Federal do Acre. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação.

Francisco Apurinã 

O apelido de Francisco de Moura Cândido foi dado pelo cartório do município de Boca do Acre-AM, porém meu nome verdadeiro é Ywmuniry, que significa “vento forte”, nome herdado dentro dos princípios culturais do meu povo Apurinã.

Sou filho de Katãwiry, neto de Yugãwa e bisneto de Yakama, do clã exogâmica meetymanety. Pertenço a Terra Indígena Kamikuã, Aldeia de mesmo nome, município de Boca do Acre. Sou também administrador de formação, mestre em Desenvolvimento Sustentável e doutor em Antropologia Social pela Universidade de Brasília-UnB.

Atividades em destaques, resultados de mais 20 anos de serviços paras os governos estadual, federal e organizações não governamentais junto aos povos indígenas: processos administrativos de licenciamento ambiental (elaboração de estudo de impacto ambiental, elaboração e execução de Plano Básico Ambiental do Componente Indígena); Regularização fundiária em terras indígenas [composição de GT para realização de estudos de identificação e delimitação de terras indígenas];

Fiscalização em territórios em parcerias com órgãos fiscalizadores; Gestão Territorial e Ambiental (elaboração de plano de gestão em terras indígena e etnomapeamento/etnozoneamento); fortalecimento cultural, educação escolar indígena e; elaboração e gestão de projetos comunitários para organizações, associações e aldeias indígenas.

Kássia Valéria de Oliveira Borges 

Artista plástica e professora de artes com ampla produção e experiência. Possui Doutorado em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (2017), com o título “As mulheres Ceramistas do Mocambo: a arte de viver de artefatos ambientais”, mestrado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2003), com o título “Origem: um princípio a fundar”, Especialização em Filosofia política pela (UFU) e graduação em – Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia (1987).

Foi professora na Universidade Federal de Uberlândia, na Universidade Federal de Goiás, no Centro Universitário de Caldas Novas (Unicaldas) com as disciplinas Linguagem Tridimensional e História da Arte, atuando principalmente nos seguintes temas: origem, fantasma, ato criativo e utopia e nas seguintes áreas: cerâmica, fotografia, desenho, instalação, arte contemporânea, meios mistos, escultura e vídeo. Também lecionou na rede pública, no primeiro e segundo graus. Coordenou, o curso de Arte-Educação da FIMES, em Mineiros-GO, onde também foi diretora e professora. Hoje é professora efetiva nas áreas de bidimensional, tridimensional e arte contemporânea na Universidade Federal do Amazônas.

Em 2007, fez duas residências artísticas em França, onde também realizou duas exposições e uma curadoria, além de lançar naquele país um livro de arte, em francês. Publicou artigo em revista bilingue do Instituto de Artes da UFRGS (Portoarte) e participou de CD ROM lançado em 2007, com obra e ensaio. A artista dá atenção à arte contemporânea e, por isso, tem participado com trabalhos ou visitas ás últimas Bienais de São Paulo e do Mercosul, além de ter visitado a XII Documenta de Kassel, na Alemanha, em 2007. 

Jannice Moraes de Oliveira Cavalcante 

Professora Licenciada em Letras/Inglês pela Universidade Federal do Acre – Ufac (1998). Especialização em Visão Interdisciplinar em Educação pela Universidade Federal de Rondônia – UNIR (2001). Mestrado em Letras- Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre – Ufac (2013).

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Identidade (PPGLI) pela Universidade Federal do Acre – Ufac (2020) Atualmente é Professora Titular Adjunto Nível 01 da Universidade da Universidade Federal do Acre – Ufac. É coordenadora de Estágio Supervisionado do Curso de Letras/Inglês e suas Respectivas Literaturas no campus sede de Rio Branco – AC.

É coordenadora do Programa Residência Pedagógica do Curso de Letras/Inglês Tem experiência nas áreas de Letras/Inglês e atua no campo de ensino de Língua Inglesa, da Investigação e Prática Pedagógica do Ensino da Língua Inglesa e de Estágios Supervisionados. Atualmente é representante do Curso de Letras/Inglês da Ufac no CONSU – Conselho Universitário. 

Maria Emília Coelho

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – Estudos Comparados nas Américas, do Departamento de Estudos da América Latina (ELA), da Universidade de Brasília (UnB), pesquisadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Movimentos Indígenas, Políticas Indigenistas e Indigenismo (LAEPI) e membro do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (OBIND).

Formada em Comunicação Social (2002), pela Universidade Metodista de São Paulo, atua desde 2007 na Amazônia peruana e brasileira, produzindo e sistematizando conteúdo para organizações indígenas, indigenistas e socioambientais, e colaborando para a imprensa brasileira e internacional. Nos últimos anos, atuou como consultora para Comissão Pró-Índio do Acre, Centro de Trabalho Indigenista, Fundação Nacional do Índio, Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Acre, União Internacional para Conservação da Natureza, WWF Brasil, entre outras.

Atualmente, trabalha como Assessora de Comunicação da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB). Também é membro do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi) e do Laboratório de Interculturalidade do Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade da Universidade Federal do Acre (UFAC).

Maria de Jesus Morais

Possui graduação em Licenciatura em Geografia pela Universidade Federal do Ceará (1993), graduação Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal do Ceará (1994), mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2000), doutorado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (2008) e pós-doutorado em Geografia Humana pela USP (2017-2018).

Docente da Universidade Federal do Acre, com atuação nos cursos de graduação em Geografia, Programa de Pós-Graduação: Mestrado em Geografia e Mestrado e Doutorado em Letras: linguagem e identidade. Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia Política, Geografia da População, Teoria e Métodos atuando principalmente nos seguintes temas: produção do espaço urbano, redes migratórias e identidade, geografia histórica, processos de territorialização.

Foi Tutora do Grupo PET Geografia da Universidade Federal do Acre, do período de 2010 a 2011. E tutora do PET Conexões de Saberes – comunidades indígenas, em 2017. Atualmente é vice coordenadora dos programas de pós graduação: mestrado em Geografia. E, Pós-graduação em Letras: linguagem e identidade.

Înenawa/ Zarineldo Francisco Jaminawa

Meu nome na língua indígena é Înenawa e na língua brasileira me chamo Zarineldo Francisco Jaminawa. Sai da minha aldeia a mais de 15 anos em busca do meu objetivo que era de estudar e concluir o meu ensino médio, com a permissão de Deus consegui concluí-lo.

Agora estou querendo voltar para a minha aldeia, para dessa forma compartilhar o meu aprendizado com o meu povo jaminawa. Sei que não é fácil e temos muitos obstáculos pela frente.

Venho da cabeceira do rio Iaco e atualmente estou querendo retornar para o rio Caeté, porque eu fiz um processo seletivo para a educação indígena e estou esperando essa oportunidade para poder voltar e dar o exemplo para os meus parentes que ainda não tiveram a oportunidade de estudar.

Biná Hunikuin/ Erivaldo Sérgio

Meu nome na língua indígena é Biná Hunikuin e na língua brasileira é Erivaldo Sérgio. Moro na terra indígena Kaxina da colônia 27, na aleia Pinuya.

Em 2000 tive início na minha carreira de Agente Agroflorestal indígena por meio do projeto de formação na área de gestão territorial, produção e segurança alimentar pela Comissão Pro-Índio do Acre – CPI.

Conclui minha formação e assessoria técnica nas terras indígenas em 2017. E no ano seguinte, iniciei um projeto de pesquisa onde escrevi o histórico da minha terra indígena.

Dua Busê Hunikuî/ Sivaldo Barbosa Sereno

Meu nome na primeira língua é Dua Busê Hunikuî e na segunda língua sou Sivaldo Barbosa Sereno, nascido no alto rio Jordão no seringal Bondoso, sou filho de Bane Hunikuî e Nãke Barbosa, casado com Sya Hunikuî e tenho três filhos Îkaburu, Txana Bane e Txana Bixku. Moro na região do município do Jordão na aldeia Independência do alto rio Tarauacá.

Hoje tenho 40 anos, meu primeiro emprego foi de motorista, barqueiro. No segundo, fui vereador do município do Jordão entre 2001-2005. Com 20 anos fui presidente da Câmara na Legislação do Município do Jordão. Após isso, fui representante do governo daqui do município, no governo do Jorge Viana, representava o povo Huni Kuin. Também fui representante do Acre durante 5 anos. Fui Vice-presidente da Federação Huni Kuin do Acre, no qual faz a representação dos povos Huni Kuin.

Também sou professor desde 2012, trabalhei um ano pela prefeitura do Jordão na aldeia Nova Esperança e de professor da rede municipal por 10 meses. Já faz 8 anos que trabalho como supervisor em educação indígena, trabalho com 35 aldeias, cuidando de 35 escolas, 48 professores, 45 merendeiros. Sou presidente do conselho local da saúde indígena, que é responsável por fazer o acompanhamento, a supervisão e discussão da melhoria da saúde indígena no município do Jordão.

Fui eleito pelo meu povo na aldeia Boa Vista, pelos conselheiros locais e após isso fui reeleito. Nesse momento temos um trabalho bonito com a educação indígena, na parceria com a universidade através da professora Inês, queremos agradecer a colaboração, atenção e valorização que ela traz aos povos indígenas. Fazemos parte da Universidade Federal do Acre (UFAC) do campus de Rio Branco.

Ultimamente temos um trabalho muito prestado voltado para os povos indígenas, trabalhando com a educação diferenciada indígena. E agora sou pré-candidato a vereador pelo Partido da Frente Popular (PCdoB) aqui no município do Jordão.

Acelino Sales/ Tuí Huni Kuin

Meu nome em Hãtxa Kuin é Tuí Huni Kuin, comecei a trabalhar em 1996 junto com o meu tio e professor Ibã, que me ensinou a dar aula. Foi à partir dai que apareceu meu interesse na pintura, então aprendi a desenhar.

Em 2000 trabalhei como agente agroflorestal me formando pela Comissão Pró – Índio (CPI) no Juruá do Breu, onde trabalhei por 10 anos. E quando me formei passei para o Jordão, fui morar lá com a minha família, meu irmão, minha irmã, meu tio e minha tia, toda a minha família.

Então voltei a trabalhar junto com o tio Ibã, que sempre me repassava sobre a navegação dos desenhos e da escrita, eu sempre trabalhei com a tela e com a pintura. Então a professora Maria Lúcia, me ensinou a pintar com a aquarela e desde então trabalho com esse tipo de pintura em minha aldeia Bom Jesus no alto rio Jordão.

Eu gostaria de ter mais experiências e assim ganhar mais conhecimento, aprender e me conectar mais. Quero continuar meu trabalho e estudo para assim ensinar para o meu filho e meu neto. Quero me conectar mais com o trabalho, com a pintura na madeira, no pano e tudo que eu já ando praticando, nesse trabalho artístico, no meu trabalho de artista plástico.

Acompanho as minhas necessidades, preciso trabalhar para sustentar a minha família, para viver sempre, deixando a minha fama no país e no mundo inteiro.

Valdirene Nascimento da Silva Oliveira/ Kamara Kymiu

Indígena pertencente ao povo Pupykãry/Apurinã. Doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense- UFF. Mestra em letras: linguagem e Identidade – UFAC. Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Acre – UFAC. Especializações em: Pedagogia Gestora. Língua Brasileira de Sinais – Libras e Tecnologias em Educação – PUC/Rio.

Docente EBTT no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre, atuando como docente nas disciplinas de Libras, Educação Inclusiva e disciplinas pedagógicas.  Experiência de Ensino  seguintes áreas: Deficiência Auditiva/Surdez, Deficiência Visual/Cegueira. Deficiência Intelectual. Tradutor Interprete de Libras -TILS, AEE, Tecnologias Aplicadas ao Ensino e Educação Escolar Indígena.

É membro do grupo de Estudos Pesquisar COM da UFF, também pesquisadora do Laboratório de Interculturalidade. Desenvolve pesquisas no campo da Educação de Surdos, de pessoas com deficiências e Educação Escolar Indígena.

João Domingos Kaxinawá

Sou o professor João Domingos Kaxinawá, na língua indígena sou Tuī, já venho trabalhando na educação desde 1996, conclui meu ensino médio em 2002, tive a oportunidade de cursar a minha faculdade e concluir a minha formação, a graduação em história em 2010.

E agora nesse exato momento continuo trabalhando na área da educação. Ao mesmo tempo sou representante das lideranças indígenas daqui da região do alto rio Purus.

Quando muitas vezes as lideranças não tem tempo de participar em algumas reuniões que se referem aos nossos interesses do movimento indígena, eu acompanho essas políticas do que se tratam dos assuntos de educação indígena e outros assuntos que se referem ao movimento indígena.

Ibã Huni Kuin

Na minha identidade é Isaías Sales, mas pela identidade de origem é Ibã Huni Kuin. Sou da etnia Huni Kuin, moro na aldeia Chico Curumim no alto rio Jordão. Sou professor desde 1983, trabalho ainda ensinando meu povo. Atualmente sou liderança, cacique representante nacional e internacional, mestre, professor, pesquisador e espírito da floresta.

A minha trajetória de pesquisa é a música espiritual e a bebida sagrada chamada nixi pae. Continuo na pesquisa de música, trabalhando com as pinturas e o significado dela. Hoje eu estou em duas universidades, a Uniersidade Federal do Acre (UFAC) do campus de Cruzeiro do Sul e a do campus de Rio Branco. Além disso, já viajei com várias redes das universidades, a de Uberlândia, UFAM, Santiago do Chile, Universidade Fundação Cartier de Paris, UFMG, UNB e UFSB.

Hoje estou mostrando a todos a capacidade que aprendemos junto com o conhecimento do meu pai de geração em geração. Estou repassando a minha língua e diferenciando o significado. Estou como convidado pela UFAC, trabalhando com aulas no atelier. Além disso sou músico, poético, conheço as ervas perfumosas da floresta, ervas medicinais tradicionais e ao mesmo tempo interpreto a música no desenho. Hoje temos pedagogia e língua do Huni Kuin, e a música é a minha pedagogia. Essas são as minhas atividades dentro da comunidade.

Criei o Movimento dos Artistas Huni Kuin (MAKU) para não acabar com essa linguagem e conhecimento que nós temos. Hoje, eu pesquiso em vários lugares, viajando para várias regiões do Huni Kuin aprendendo e voltando para as nossas pedagogias antigas e as músicas desde meu trabalho de 1983 junto com a Comissão Pró-Índio do Acre (CPI).

Quando terminei meu magistério com a CPI eu estava na aldeia. E em 2009, quando me matriculei na universidade fui entrevistado sobre a minha pesquisa com a música, pelo professor Amilton Peregrino de Mattos da UFAC do campus de Cruzeiro do Sul. Que é meu grande amigo e foi meu companheiro de pesquisa por muitos anos.

Também trabalhei muito com a professora Maria Inês de Almeida desde 2008 até 2012, ficamos na UFMG junto com a pesquisa, coisa que sou muito grato, por falar na minha linguagem e não deixar que a minha identidade acabe.

O MAKU é a universidade do povo Huni Kuin, é esse meu trabalho e minha trajetória. Realizo uma aprendizagem junto com a Comissão Pró-Índio do Acre (CPI) e a minha pesquisa particular de campo.

Eldo Carlos Gomes Barbosa Shanenawa

Formado em pedagogia e mestrando pelo Programa de Pós-Graduação de Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) na Universidade Federal do Acre (UFAC). Atual coordenador da Organização de professores indígenas do Acre (OPIAC).

Não é fácil ter essa trajetória, desde quando eu comecei a estudar, que a nossa escola tinha apenas a quarta série, então eu tive uma idade avançada para começar os meus estudos. Mas graças a esses programas pela UFAC e as cotas eu me ingressei no mestrado. 

Então isso, é um ganho para a população indígena, é um ganho pro povo Shanenawa, porque atualmente pra um indígena conseguir ingressar em uma universidade para fazer uma graduação, pós – graduação, mestrado ou doutorado é muito difícil mas com muita luta, dedicação e persistência a gente consegue ingressar com muito esforço. Então isso faz com que a população indígena ganhe com os conhecimentos que adquirimos na ciência não indígena. Porque nós indígenas temos uma ciência indígena, nossa própria filosofia, nossa própria psicologia. 

Então isso é muito importante em a gente tá aprendendo um pouco e comparando. E também dividindo e compartilhando esse conhecimento através da sabedoria que soma da experiência da cultura indígena, da história indígena e da educação indígena. Então isso é muito importante para que nós possamos estar fortalecendo e também ajudando as próprias universidades a falar da temática indígena.

Então, eu gostaria de deixar aqui essa mensagem, de que quando o índio entra na universidade para fazer qualquer curso, a população indígena ganha, o povo indígena ganha, para nós estarmos compartilhando e também falando das nossas próprias experiências, porque é muito fácil o não indígena falar, mas é mais fácil ainda o próprio indígena falar de si. Então a universidade também ganha e o LABInter também ganha porque a gente tá fortalecendo, participando da pesquisa para elaborar e publicar materiais.

E com o apoio da universidade, nós pesquisadores indígenas através do nosso conhecimento queremos produzir nossos próprios livros didáticos. Para que esses materiais sirvam tanto para a universidade, quanto para a escola e para os povos indígenas.

Izabela Leal

Izabela Leal é poeta e professora de literatura portuguesa da Universidade Federal do Pará e do Programa de Pós-Graduação em Letras (UFPA). É mestre em Estudos literários pela PUC-Rio e doutora em Literaturas Vernáculas pela UFRJ, com tese sobre Herberto Helder.

Atualmente desenvolve pesquisas sobre poéticas indígenas e em 2015 teve o projeto “Tradução e recriação das artes verbais indígenas: vertentes antropofágicas na literatura contemporânea” aprovado pelo edital universal do CNPq.

Atualmente desenvolve um projeto de pesquisa intitulado “Poéticas e políticas indígenas: algumas leituras” e participa como colaboradora nos projetos das pesquisadoras Maria Ines de Almeida (UFMG/UFAC) e Ivânia dos Santos Neves (UFPA), ambos aprovados pelo edital universal do CNPq.

Tem orientado trabalhos de iniciação científica, dissertações de mestrado e teses de doutorado relacionados às poéticas indígenas e já publicou vários artigos dedicados às obras de autores indígenas, tais como Kaká Werá Jecupé e Eliane Potiguara. Como poeta, recebeu o Prêmio Rio de Literatura pelo livro A intrusa (Garamond, 2016), que foi traduzido para o alemão por Timur Stein (Leipziger Literaturverlag, 2020).

Lançou em 2018, pela edições ¼, a plaquete artesanal Retratos fora de foco para mulheres sob disfarce e publicou poemas em revistas e antologias no Brasil, México, Espanha e França.

Marcia Barroso Loureto 

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará (1991), mestrado em Letras- Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre (2015) e doutoranda em Letras Linguagens e Identidade pela Universidade Federal do Acre.

Atualmente exerce a função de assessora pedagógica na Equipe de Educação Infantil do Município de Rio Branco. Professora na Faculdade Sinal e Faculdade Euclides da Cunha.

É pesquisadora do Laboratório de Interculturalidade e bolsista da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Tema do projeto de pesquisa: A criança Huni kuin (kaxinawá) em uma escola de educação infantil de Santa Rosa: vozes e silêncios no encontro entre dois mundos.

Linha de Pesquisa: Linguagem e Formação Docente.

Orientadora: Prof. Doutora Valda Inês Fontenelle Pessoa.

Cristiane De Bortoli

 Possui graduação em Licenciatura em Música pela Universidade de Brasília/UnB (2011) e Especialização em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Relações Etnicorraciais pela Universidade Federal de Ouro Preto/UFOP (2016).

É Mestre em Letras: Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre/UFAC (2020), com a dissertação “Tradições Orais e Canções Shanenawa através das memórias de Shuayne, patriarca da aldeia Shane Kaya”. Atualmente é professora efetiva de Música do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre, Campus Tarauacá, pesquisadora do Laboratório de Interculturalidade (Labinter/UFAC) e do Grupo de Pesquisa Azougue (IFAC).

É membro fundadora do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas -NEABI/IFAC/Tarauacá. Trabalhou como Professora Substituta no Curso de Licenciatura em Música da UFAC, como professora de Arte/Música na SEE/AC e como gestora cultural na Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil, em Rio Branco.

Jaider Esbell

 Jaider Esbell, 1979, Normandia-RR. É indígena Makuxi da TI Raposa – Serra do Sol. Foi alfabetizado em casa. Concluiu o ensino médio em 1997. Mudou-se para Boa Vista em 1998 onde vive e mantém a Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea.

Acesse http://www.jaideresbell.com.br/ para mais informações. A web registra as diversas atividades do artevista multimídia. Seu trabalho repercute no Brasil e no exterior. Sua carreira profissional iniciou em  2009 com a Bolsa Funarte/Minc de Criação literária.

 O produto é a obra literária Terreiro de Makunaima – Mitos, lendas e estórias em vivências. Pelo conjunto da obra, foi indicado ao Prêmio PIPA em 2016, onde venceu na categoria on-line. Sua trajetória compreende diversas linguagens artísticas.

Seu portfólio mostra ainda que  é produtor, curador e livre pesquisador do Sistema da Arte Indígena Contemporânea. Escreve e publica na modalidade ensaio. Jaider Esbell é reconhecido como um dos pensadores indígenas mais ativos da atualidade.

Laura Castro

  Professora adjunta no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), atua no Bacharelado Interdisciplinar em Artes. Laura Castro tem doutorado em Artes Cênicas (UFBA), mestrado em Literatura (UnB) e graduação em Letras (UnB).

  Seus interesses de pesquisa atravessam a literatura em seu campo expandido, a publicação independente, seus modos de produção e distribuição e a memória gráfica da Bahia. Como extensionista, dedica-se a pensar modos de fomentar uma ecologia dos saberes no campo das artes a favor de uma universidade pluriepistêmica e decolonial.

  Atualmente, seu foco de trabalho é na coordenação editorial e na condução de oficinas de escrita literária, para a produção de livros de estudantes indígenas junto a suas comunidades. Atua no PROFARTES – Mestrado Profissional em Artes, do IHAC/UFBA e no Programa de Pós-graduação em Educação e Relações Étnico-raciais (PPGER), da CJA/UFSB.

Mauro Oddo Nogueira

 Engenheiro e Administrador de Empresas, Mestre (UFF) e Doutor em Engenharia (Coppe/UFRJ). Foi professor e coordenador de cursos de graduação e pós-graduação em diversas instituições de ensino, entre as quais a Puc-RJ, o Ibemec-RJ e o Coppead/UFRJ. Foi executivo em empresas públicas e privadas e consultor na área de gestão organizacional e qualidade.

Atualmente, é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, onde se dedica a estudos sobre produtividade, as empresas de pequeno porte, a economia informal, a precarização do trabalho e o desenvolvimento sustentável, sendo também professor do Mestrado Profissional em Desenvolvimento e Políticas Públicas desse Instituto. 

É autor do livro “Um Pirilampo no Porão: um pouco de luz nos dilemas da produtividade das pequenas empresas e da informalidade no Brasil”.